terça-feira, 28 de outubro de 2014

A VISÃO DO CÉU SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

A noite de 22 de dezembro [de 1876] ficou memorável no Oratório. Foi um pouco antecipada a hora da oração. Reuniram-se no locutório os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa. Dom Bosco tinha prometido falar no domingo anterior, mas não pudera fazê-lo. Imagine-se a expectativa geral! Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava daquele modo a "boa noite" à comunidade inteira. Fez sinal de que ia falar e imediatamente fez-se completo silêncio.

"Na noite em que estive em Lanzo, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive o seguinte sonho. É um sonho que não tem nenhuma relação com outros sonhos...

São coisas muito estranhas. Mas para meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração. Pensai o que quiserdes desse sonho. Como diz São Paulo, quod bonum est tenete [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrais nele que seja de proveito para vossa alma, sabei aproveitar-vos dela. Quem não quiser crer, que não me creia, pouco importa; mas ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.

Peço-vos, ainda, que não o conteis nem o comuniqueis por escrito aos que não são da casa. Aos sonhos pode-se dar importância que sonhos merecem, e os que não conhecem nossa intimidade poderiam formar juízos errôneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade. Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais). Mas o que um pai manifesta a seus filhos queridos para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, e não passar adiante. E ainda por outro motivo: é que em geral, quando se contam essas coisas fora, ou se desfiguram os fatos ou se conta apenas uma parte deles, e esta mesma mal entendida; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.

Deveis saber que ordinariamente os sonhos se têm dormindo. Ora, na noite de 6 de dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado, comecei a sonhar.

Logo me pareceu estar sobre uma elevação de terreno, ou colina, à beira de uma imensa planície cujos confins a vista não alcançava, pois se perdiam na imensidão; era toda azulada como o mar calmo, embora o que eu visse não fosse água; parecia um cristal límpido e luminoso. Sob meus pés, por trás de mim e dos lados via uma região à maneira de um litoral à margem do oceano.

Largos e gigantescos caminhos dividiam aquela planície em vastíssimos jardins de indescritível beleza, todos repartidos em bosquezinhos, prados e canteiros de flores, de formas e cores variadas. Nenhuma das nossas plantas pode nos dar idéia daquelas, embora tenham com elas alguma semelhança. As ervas, as flores, as árvores, as frutas, eram vistosíssimas e de belíssimo aspecto. As folhas eram de ouro; os troncos e ramos, de diamante, correspondendo todo o resto a essa riqueza. Seria impossível contar as diferentes espécies; e cada espécie e cada indivíduo resplandecia com uma luz própria.

No meio daqueles jardins e em toda a extensão da planície eu contemplava incontáveis edifícios de ordem, beleza, harmonia, magnificência e proporções tão extraordinárias, que para a construção de um só deles me parecia não seriam suficientes todos os tesouros da terra.

Eu dizia para mim mesmo: "Se meus meninos tivessem uma destas casas, como gozariam, que felizes seriam e com quanto gosto viveriam nela!" Isto pensava eu vendo externamente os palácios. Qual não deveria ser sua magnificência interior!

Enquanto contemplava extasiado tão estupendas maravilhas que adornavam aqueles jardins, eis que chega a meus ouvidos uma música dulcíssima, de tão agradável e suave harmonia que nem posso dela dar-vos adequada idéia. As músicas do Padre Cagliero e de Dogliani nada têm de musical se comparadas àquela! Eram cem mil instrumentos, produzindo cada qual um som diverso do outro, enquanto todos os sons possíveis difundiam pelos ares suas ondas sonoras. A estes, somavam-se os coros de cantores.

Vi então uma multidão de pessoas que se encontrava naqueles jardins e se regozijava alegre e contente. Uns tocavam, outros cantavam. Cada voz, cada nota, produzia efeito de mil instrumentos reunidos, todos diferentes uns dos outros. Ao mesmo tempo ouviam-se os diversos graus da escala harmônica, desde os mais baixos até os mais agudos que se possam imaginar, mas todos em perfeita harmonia. Ah! para descrever-vos tal harmonia não bastam comparações humanas.

Via-se, pelo rosto dos felizes habitantes do jardim, que os cantores não só experimentavam extraordinário prazer em cantar, mas ao mesmo tempo sentiam imenso gozo em ouvir cantar os demais. Quanto mais um cantava, mais se lhe acendia o desejo de cantar, e quanto mais ouvia, mais desejava ouvir.

Era isto o que cantavam:

Salus, honor; gloria Deo Patri omnipotenti!.., Auctor saeculi, qui erat, qui est, qui venturus est iudicare vivos et mortuos in saecula saeculorum [Saudação, honra e glória a Deus Pai onipotente! Autor do século, que era, que é e que virá a julgar os vivos e os mortos para todos os séculos dos séculos].

Enquanto ouvia atônito essa celestial harmonia, vi aparecer uma imensa multidão de jovens, muitos dos quais eu conhecia, pois tinham estado no Oratório e nos outros nossos colégios; mas me era desconhecida a maior parte. A multidão interminável se dirigia a mim. À sua frente vinha Domingos Sávio, e logo atrás dele vinham Padre Alasonatti, Padre Chiala, Padre Giulitto e muitos sacerdotes e clérigos, cada um deles conduzindo uma seção de jovens.

Eu me perguntava a mim mesmo: "Estou dormindo ou estou acordado?" Batia as mãos uma na outra e me tocava no peito, para certificar-me de que era realidade o que via.

Chegada diante de mim toda aquela multidão, parou à distância de oito ou dez passos. Brilhou então um relâmpago de luz mais viva; cessou a música e fez-se um silêncio profundo. Todos os jovens estavam tomados pela maior alegria, que lhes transparecia no olhar, e em seus rostos se via a paz de uma felicidade perfeita. Olhavam-me com um suave sorriso nos lábios e parecia que desejavam falar, mas não falavam.

Adiantou-se Domingos Sávio só, alguns passos, e ficou tão próximo a mim que se eu tivesse estendido a mão certamente o teria tocado. Calava-se e me olhava sorrindo. Que belo estava! Suas vestes eram realmente singulares. Caía-lhe até os pés uma túnica alvíssima, coberta de diamantes e toda bordada de ouro. Cingia-lhe a cintura uma ampla faixa vermelha recamada com tantas pedras preciosas que uma quase tocava a outra; e se entrelaçavam em desenho tão maravilhoso, apresentando tanta beleza de cores, que eu, ao vê-lo, me sentia fora de mim pela admiração.

Pendia-lhe do pescoço um colar de flores raras, mas não naturais; parecia como se as pétalas fossem de diamantes unidos entre si sobre hastes de ouro; e assim era tudo o mais. Essas flores refulgiam com luz sobre-humana mais viva que a do sol, que naquele instante brilhava com todo o esplendor de uma manhã de primavera. Elas refletiam seus raios sobre o rosto cândido e corado de modo indescritível, dando-lhe uma luz de modo tão singular que nem se distinguiam bem suas várias espécies. A cabeça, tinha-a cingida com uma coroa de rosas; os cabelos caíam-lhe sobre os ombros em ondulantes cachos, dando-lhe um ar tão pulcro, tão afetuoso, tão encantador, que parecia... parecia... um Anjo!"

Ao pronunciar estas últimas palavras, parecia que Dom Bosco estava fazendo grande esforço para encontrar as expressões adequadas; e o fez com um gesto indescritível e um tom de voz que comoveu a todos; pareceu ter-se cansado nesse esforço para encontrar os termos que exprimissem inteiramente sua idéia. Após breve pausa, prosseguiu:

"Também resplandeciam de luz todos os outros que o acompanhavam. Vestiam-se de modos diversos, mas sempre maravilhosos; uns mais, outros menos ricos; uns de uma, outros de outra forma; num, dominava determinada cor; noutro, dominava outra; e cada uma das vestes tinha um significado que ninguém saberia compreender. Mas todos tinham na cintura uma faixa vermelha.

Eu continuava a observar e pensava: Que significará isso? Como vim parar neste local?... E não sabia onde me encontrava. Fora de mim, temeroso pela reverência que tudo aquilo me inspirava, não me atrevia a dizer nada. Também os outros continuavam silenciosos. Por fim, Domingos Sávio abriu a boca.

- Por que estás aí mudo e como que aniquilado? Não és mais aquele homem que de nada tinhas medo, que enfrentavas intrépido as calúnias, as perseguições, os inimigos, as angústias e os perigos de toda espécie? Onde está tua coragem? Por que não falas?

A duras penas respondi, quase balbuciando:

- Não sei o que dizer... Mas, não és tu Domingos Sávio?

- Sim, sou; já não me reconheces?

- E como te encontras aqui? – acrescentei, sempre confuso.

Sávio então respondeu com afeto:

- Vim aqui para falar-te. Tantas vezes nos falamos na Terra! Não recordas quanto me amavas, quantas provas de amizade e quantas demonstrações de benevolência me deste? E eu por acaso não correspondi a teus desvelos? Como era grande minha confiança em ti! Por que, então, tremes? Coragem! pergunta-me alguma coisa.

Recobrando então ânimo, lhe disse:

- Tremo, porque não sei onde me encontro.

- Estás no local da felicidade – respondeu Sávio – onde se gozam todas as alegrias, todas as delícias.

- É este, pois, o prêmio dos justos?

- Não, por certo. Aqui não se gozam os bens eternos, mas só, ainda que em medida grande, os temporais.

- Mas então são naturais todas essas coisas?

- Sim, se bem que embelezadas pelo poder de Deus.

- E a mim, que me parecia que isto era o Paraíso! – exclamei.

- Não, não, não! – respondeu Sávio. Nenhum olho mortal pode ver as belezas eternas.

- E essas músicas – prossegui perguntando – são as harmonias de que gozais no Paraíso?

- Não, não, já te disse que não!

- São sons naturais?

- Sim, são sons naturais, aperfeiçoados pela onipotência de Deus.

- E esta luz que sobrepuja a luz do sol, é luz sobrenatural? É a luz do Paraíso?

- É luz natural, embora avivada e aperfeiçoada pela onipotência divina.

- E não se poderia ver um pouco de luz sobrenatural?

- Ninguém pode vê-la enquanto não chegue a ver a Deus sicut est [como Ele é]. O menor raio dessa luz tira no mesmo instante a vida de um homem, porque não é suportável pelas forças humanas.

- E poderia haver uma luz natural ainda mais bela do que esta?

- Se soubesses! Se visses somente um raio de luz natural elevada a um grau superior a este, ficarias fora de ti.

- E não se pode ver ao menos um raio dessa luz de que falas?

- Sim, podes vê-lo; terás a prova do que te digo; abre os olhos.

Já os tenho abertos – respondi.

- Olha bem no fundo desse mar de cristal.

Levantei a vista, e apareceu de repente no céu, a uma distância imensa, uma instantânea centelha de luz, sutilíssima como um fio, mas tão brilhante, tão penetrante, que meus olhos não puderam resistir. Fechei-os e lancei um grito tão forte que despertou o Padre Lemoyne (aqui presente), que dormia num quarto próximo. Assustado, ele me perguntou na manhã seguinte o que me acontecera de noite, para estar assim tão agitado. Aquele fiozinho de luz era cem milhões de vezes mais claro que o sol, e seu fulgor bastaria para iluminar todo o universo criado.

Após alguns instantes, consegui abrir os olhos e perguntei a Domingos Sávio:

- E isso que vi, será talvez um raio divino?

Sávio respondeu:

- Não é luz sobrenatural, se bem que, comparada com a terrestre, seja tão superior em brilho. Não é senão luz natural, assim avivada pelo poder de Deus. E ainda que imaginasses uma imensa zona de luz semelhante à centelhazinha que viste lá no fundo rodeando todo o mundo, nem por isso formarias para ti uma idéia dos esplendores do Paraíso.

- E vós, de que gozais, pois, no Paraíso?

- Ah! É impossível dizer-te. O que se goza no Paraíso nenhum homem mortal pode sabê-lo enquanto não deixar esta vida e se reunir a seu Criador. Basta dizer que se goza ao próprio Deus.

Entretanto, eu já me recobrara plenamente de meu primeiro aturdimento, e contemplava absorto a beleza de Domingos Sávio, e com franqueza lhe perguntei:

- Por que tens essa veste tão alva e deslumbrante?

Calou-se Sávio, sem dar mostras de querer responder. Mas o coro retomou então suas harmonias e cantou, acompanhado de todos os instrumentos:

Ipsi habuerunt lumbos praecinctos et dealbaverunt stolas suas in san guine Agni [Eles tiveram os rins cingidos e purificaram suas vestes no sangue do Cordeiro].

- E por que – voltei a perguntar quando cessou o canto – essa faixa vermelha na tua cintura?

Tampouco desta vez Sávio respondeu, mas antes fez sinal de que não queria fazê-lo. Então, o Padre Alasonatti em solo se pôs a cantar:

Virgines enim sunt, et sequuntur Agnum quocumque ierit [São virgens e seguirão o Cordeiro aonde quer que vá].

Compreendi então que a faixa encarnada, cor de sangue, era símbolo dos grandes sacrifícios feitos, dos violentos esforços e do quase martírio sofrido para conservar a virtude da pureza; e que, para manter-se casto na presença do Senhor, ele teria estado pronto a dar a vida se as circunstâncias o houvessem requerido; e que também era símbolo das penitências, que limpam a alma da culpa. A brancura e o esplendor da túnica significavam a inocência batismal conservada.

Mas eu, atraído pelos cantos e contemplando todas aquelas falanges de jovens celestiais ordenados atrás de Domingos Sávio, lhe perguntei:

- E quem são estes que te rodeiam?

E, dirigindo-me aos demais, lhes disse:

- Como é que estais todos tão refulgentes?

Sávio continuou calado, e todos os jovens se puseram a cantar:

Hi sunt sicut Angeli Dei in caelo [Estes são como Anjos de Deus no Céu].

Notava entretanto que Sávio parecia ter preeminência sobre aquela multidão, que a respeitosa distância se encontrava, uns dez passos atrás dele; e então lhe disse:

- Diz-me, Sávio: sendo tu o mais jovem entre os muitos que te seguem e dos que morreram em nossas casas, por que vais tu assim adiante deles e os precedes? Por que és tu que falas e eles se calam?

- Eu sou o mais velho de todos.

- Não, muitos outros te superam em anos.

- Eu sou o mais antigo do Oratório – repetiu Domingos Sávio – porque fui o primeiro a deixar o mundo e ir à outra vida. Além disso, legatione Dei fungor [Por mandado de Deus].

Essa resposta me indicava o motivo da visão. Ele era embaixador de Deus.

- Então – lhe disse – falemos do que neste instante mais nos importa.

- Sim, e pergunta-me logo o que ainda desejas saber. As horas passam, e poderia acabar o tempo que me foi concedido para falar-te; e já não mais me poderias ver.

- Ao que parece, tens algum assunto de suma importância para me comunicares.

- Que irei dizer-te eu, miserável criatura? – disse Sávio com profunda humildade. – Recebi do alto a missão de te falar, e por isso vim.

- Então – exclamei – fala-me do passado, do presente e do futuro de nosso Oratório. Fala alguma coisa de meus queridos filhos, fala de minha Congregação.

- A respeito desta, muito teria que te comunicar.

- Revela, pois, o que sabes: fala-me do passado.

- O passado recai todo sobre ti.

- Terei feito alguma das minhas... [faltas]?

- Quanto ao passado, digo-te que tua Congregação já fez muito bem. Vês lá abaixo aquele número interminável de jovens?

- Vejo-os – respondi. – Como são numerosos! E como parecem felizes!

- Pois olha o que está escrito na entrada do jardim.

- Está escrito Jardim Salesiano.

- Pois bem – prosseguiu Sávio – todos eles foram salesianos, ou foram educados por ti, ou contigo tiveram alguma relação, foram salvos por ti ou por teus sacerdotes e clérigos, ou por outros que encaminhaste pela via de sua vocação. Conta-os, se fores capaz. Seu número, porém, seria cem milhões de vezes maior se maiores tivessem sido tua fé e tua confiança no Senhor.

Lancei um suspiro, sem saber o que responder a tal reprimenda, mas disse de mim para comigo: daqui para a frente procurarei ter essa fé e essa confiança. Depois, perguntei:

- E o presente?

Sávio me apresentou um magnífico ramalhete que tinha nas mãos. Nele havia rosas, violetas, girassóis, gencianas, lírios, sempre-vivas e, entre as flores, espigas de trigo. Ofereceu-mo e disse:

- Observa!

- Vejo, mas nada entendo – respondi.

- Dá este ramalhete a teus filhos para que possam oferecê-lo ao Senhor quando chegar o momento; procura que todos o tenham; a ninguém lhe falte nem o deixe tirar. Podes estar certo de que com ele terão o suficiente para ser felizes.

- Mas, que significa esse ramalhete de flores?

- Consulta a Teologia; ela te dirá e te dará a explicação.

- A Teologia, estudei-a eu, mas não saberia como tirar dela o significado do que me apresentas.

- Pois tens estrita obrigação de saber tudo isso.

- Vamos, tira-me da minha ansiedade, explica-me tu!

- Vês estas flores? Representam as virtudes que mais agradam ao Senhor.

- Quais são?

- A rosa é símbolo da caridade; a violeta, da humildade; o girassol, da obediência; a genciana, da penitência e da mortificação; as espigas, da comunhão freqüente; o lírio indica a bela virtude da qual está escrito: Erunt sicut Angeli Dei in caelo (Estes são como anjos de Deus no Céu), a castidade. E a sempre-viva significa que todas essas virtudes devem durar sempre, ela simboliza a perseverança.

- Ora bem, meu caro Sávio: tu, que durante toda a tua vida praticaste todas essas virtudes, diz-me: o que foi que mais te consolou na hora da morte?

- Que te parece que possa ser? – respondeu Sávio.

- Foi talvez ter conservado a bela virtude da pureza?

- Não; não é só isso.

- Alegrou-te talvez teres a consciência tranqüila?

- Isso é bom, porém não é o melhor.

- Por acaso teu consolo terá sido a esperança do Paraíso?

- Também não.

- Pois então! O haver entesourado muitas boas obras?

- Não, não!

- Então, qual foi teu consolo na última hora? – perguntei, entre confuso e suplicante, vendo que não conseguia adivinhar seu pensamento.

- O que mais me confortou no transe da morte foi a assistência da poderosa e amável Mãe do Salvador. Diz isto a teus filhos: que não se esqueçam de invocá-La em quanto estão em vida. Mas, se queres que possa responder-te mais algo, apressa-te!

- Quanto ao futuro, que me dizes?

- Com respeito ao futuro, no próximo ano de 1877 terás que sofrer uma grande dor; seis mais dois dos que te são mais caros serão chamados por Deus à eternidade. Mas consola-te, pois serão transplantados do campo do mundo para os jardins do Paraíso. Serão coroados. Não temas, O Senhor te ajudará e te mandará outros filhos igualmente bons.

- Paciência! E no que se refere à Congregação?

- No tocante à Congregação, fica sabendo que Deus te prepara grandes acontecimentos. No ano próximo surgirá para ela uma aurora de glória tão esplêndida, que iluminará como um relâmpago os quatro cantos do mundo; do oriente ao poente, do sul ao norte. Grande glória lhe está preparada. Tu deves zelar para que o carro no qual vai o Senhor não seja afastado pelos teus fora de suas guias e de seus caminhos. Se teus sacerdotes o souberem bem conduzir e se forem dignos da alta missão que lhes foi confiada, esplêndido será o futuro, e infinitas serão as pessoas que salvarão. Mas com uma condição: que teus filhos sejam devotos da Santíssima Virgem e saibam, todos os que vivam em tua casa, conservar a virtude da castidade, tão agradável aos olhos de Deus.

- Queria agora que me falasses algo sobre a Igreja em geral.

- Os destinos da Igreja estão nas mãos de Deus Criador. O que Ele determinou em seus infinitos decretos não te posso revelar. Tais arcanos reserva-os Ele exclusivamente para Si, e deles não participa nenhum dos espíritos criados.

- E sobre Pio IX?

- O que posso dizer-te é que o Pastor da Igreja não terá que sustentar ainda longos combates nesta terra. Poucas são as batalhas que ainda lhe resta vencer. Dentro de pouco será arrebatado de seu trono e o Senhor lhe dará a merecida recompensa. O resto já é bem sabido. A Igreja não perece... Tens ainda algo que perguntar?

E quanto a mim? – lhe disse.

Oh! se soubesses por quantas vicissitudes terás ainda que passar!... Mas apressa-te, porque muito pouco tempo me resta para falar contigo.

Estendi então com ardor as mãos para segurar aquele santo filho; mas suas mãos pareciam aéreas e nada pude tocar.

Que loucura! Que estás fazendo? – me disse Sávio sorrindo.

Temo que te vás – exclamei —. Mas, não estás aqui com teu corpo?

Com o corpo, não. Recuperá-lo-ei no último dia.

Mas, que são, então, esses traços que me fazem ver em ti a figura de Domingos Sávio?

Quando por permissão divina uma alma separada do corpo aparece diante de algum mortal, apresenta-se com a forma exterior do corpo que em vida animou, com todas as suas feições exteriores, embora muito embelezadas, e assim as conserva até que volte a unir-se a ele, no dia do Juízo Universal. Então o levará consigo para o Paraíso. É por isso que te parece que tenho mãos, pés e cabeça; mas tu não podes segurar-me porque sou puro espírito. Esta é só uma forma exterior pela qual me podes conhecer.

Compreendo – respondi – mas escuta. Ainda uma pergunta? meus jovens estão todos no reto caminho da salvação? Diz-me alguma coisa para que possa bem dirigi-los.

Os filhos que a Divina Providência te confiou podem ser divididos em três categorias. Vês estas três listas? Olha-as!

E me estendia uma.

Olhei a primeira; encabeçava-a a palavra invulnerati [ilesos], e continha o nome daqueles aos quais o demônio não pôde ferir, e que não mancharam a inocência com culpa alguma. Eram em grande número esses sadios, e os vi todos. A muitos já conhecia, outros era a primeira vez que via, e certamente virão ao Oratório nos anos futuros. Caminhavam direitos por um caminho estreito, apesar de serem alvo de flechas, espadagadas e lançaços que por todos os lados choviam sobre eles. Essas armas formavam como que uma sebe ao longo das duas bordas do caminho, e os combatiam e molestavam sem entretanto feri-los.

Então Sávio me deu a segunda lista, cujo título era Vulnerati [feridos], ou seja, os que haviam estado na desgraça de Deus mas, uma vez postos em pé, haviam curado suas feridas arrependendo-se e confessando-se. Eram em maior número que os primeiros, e haviam sido feridos no sendeiro da vida pelos inimigos que os flanqueavam durante sua viagem. Li a lista e vi todos. Muitos iam curvados e desanimados.

Sávio tinha ainda na mão a terceira lista. Encabeçava-a a epígrafe: Lassati in via iniquitatis [caídos na via da iniqüidade]. Nela estavam escritos os nomes dos que estavam na desgraça de Deus. Eu estava impaciente para conhecer o segredo, pelo que estendi a mão. Mas Sávio me disse com vivacidade:

Não, espera um momento e ouve. Se abrires essa folha, dela sairá um tal mau cheiro que nem tu nem eu poderemos suportar. Os Anjos têm que se retirar com asco e horror, e o próprio Espírito Santo sente repugnância pela horrível hediondez do pecado.

Mas como pode ser isso – observei – se Deus e os Anjos são impassíveis? Como podem sentir o mau cheiro da matéria?

Quanto melhores e mais puras são as criaturas, tanto mais se acercam aos espíritos celestiais; pelo contrário, quanto pior, mais desonesto e torpe é alguém, tanto mais se afasta de Deus e dos Anjos, os quais, por sua vez, se afastam dele, que se converteu num objeto de náusea e repugnância.

Passou-me então a terceira lista.

Toma-a – disse – abre-a e aproveita-te dela para o bem de teus jovens; mas não te esqueças do ramalhete que te dei; que todos o tenham e conservem.

Isto dito, e depois de entregar-me a lista, retirou-se apressadamente, em meio de seus companheiros, quase como se estivesse fugindo de algo.

Abri então a lista; não vi nenhum nome, mas no mesmo instante me foram apresentados de chofre todos os indivíduos nela escritos, como se na realidade eu visse suas pessoas. Com quanta tristeza os contemplei a todos! A maior parte eu conhecia e pertencem ao Oratório e aos outros colégios. Vi muitos que parecem bons, que parecem até os melhores dentre os companheiros, e sem embargo não o são!

Mas, no ato de abrir a folha, espalhou-se em redor um mau cheiro tão insuportável, que imediatamente me vi assaltado por terrível dor de cabeça e por tais ânsias de vômito que me parecia estar morrendo. Obscureceu-se entretanto o ar, e nisso desapareceu a visão, nada mais eu vendo do maravilhoso espetáculo. Ao mesmo tempo ziguezagueou um raio e ressoou um trovão no espaço, tão forte e terrível que acordei sobressaltado.

O mau odor penetrou nas paredes e infiltrou-se em minhas vestes de tal forma que, muitos dias depois, ainda me parecia sentir a pestilência. De tal modo é fétido ante os olhos de Deus até mesmo o nome do pecador! Agora mesmo, só de recordar aquele mau odor me vêm calafrios, sinto-me sufocado e se me revolve o estômago.

Em Lanzo, onde me achava, comecei a interrogar de cá e de lá alguns rapazes, e pude certificar-me de que o sonho não me havia enganado. É, pois, uma graça do Senhor, que me deu a conhecer o estado de alma de cada um de vós; mas disso nada direi em público. Muitas outras explicações ainda haveria que dar, mas reservo-as para uma outra noite. Por ora, só me resta desejar-vos uma boa noite".

O fato de, no sonho, ter visto como maus certos jovens que eram geralmente considerados os melhores da casa, fez com que Dom Bosco de início suspeitasse ter sido apenas uma ilusão. Foi por isso que, prudente mente, começou chamando alguns para uma conversa particular; queria certificar-se bem da natureza do sonho. Por esse mesmo motivo, não se apressou a narrar logo o sonho, mas esperou uns 15 dias. Só falou quando se sentiu bem seguro de que a coisa provinha mesmo do Alto.

O tempo ainda haveria de lhe trazer outras confirmações das profecias ouvidas.

A primeira delas, e a mais importante, dizia respeito ao número de seus filhos que morreriam no ano de 1877, discriminados em dois grupos: seis mais dois. Ora, naquele ano efetivamente os registros do Oratório assinalaram com a costumeira cruz, sinal de falecimento, os nomes de seis meninos e dois clérigos.

A segunda profecia anunciava para a Sociedade Salesiana, em 1877, uma aurora tão esplêndida que faria luz sobre os quatro Cantos do mundo. Com efeito, naquele ano fizeram entrada, no panorama da Igreja, a associação dos Cooperadores Salesianos e o Boletim Salesiano. Eram duas instituições que haveriam de levar até os confins da Terra o conhecimento e a prática do espírito de Dom Bosco.

A terceira profecia dizia respeito ao final não distante da vida de Pio IX. Este efetivamente deixou de viver catorze meses decorridos do sonho.

A última profecia foi amarga para Dom Bosco: "Oh! se soubesses por quantas vicissitudes terás ainda que passar!" Realmente, nos onze anos e dois meses que ainda durou sua vida, lutas, fadigas e sacrifícios não lhe deram trégua até o último momento.

A delegacia de polícia de Borgo Dora era, quando do sonho, regida por um senhor que tinha diversos conhecidos no Oratório. Tendo ouvido narrar o sonho, ficou muito impressionado com a previsão das oito mortes. Durante todo o ano de 1877 observou com atenção se a previsão realmente se cumpria. Quando soube que no último dia do ano se realizara o oitavo óbito, resolveu abandonar o mundo, fez-se salesiano e trabalhou muito, na Itália e também na América. Foi o Padre Angelo Piccono, cujo nome permanece ainda na memória de muitos.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

DÉCIMA MISSÃO NA TANZÂNIA, ÁFRICA.

Neste dia 11 de julho de 2014 partiremos para nossa décima missão na Tanzânia, país da África oriental. Pregaremos o Evangelho nas dioceses de Singida e Bukoba. Estelatus Mtema, coordenador nacional da RCC da Tanzânia, será nosso anfitrião.

O custo aproximado desta missão é de R$ 6 mil. Conforme o Papa Paulo VI, quem ajuda um missionário, recebe recompensa de missionário. Abaixo, minha conta para depósito. Tudo para a maior glória de Deus. Muito obrigado.

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA  1489-3
CONTA CORRENTE  16.479-8
CELSO DERETTI
CPF  538.136. 349-49

Durante a missão enviaremos notícias através deste blog. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O REMÉDIO DA IMORTALIDADE

Os filósofos dizem que a vida do homem é uma luta contínua contra o poder da morte. Por mais que se debata, nenhum filho de Adão é capaz de furtar-se do dia de sua visita. O problema não é a morte  — afinal de contas muitos a desejam como remédio definitivo para os inevitáveis males da vida presente — , mas aquilo que se delineia para além de suas misteriosas portas.

Eis o grande enigma que todos buscam decifrar: uma vez que a busca da imortalidade está, ao mesmo tempo, inscrita no coração do homem e fora de suas possibilidades, onde encontrar o remédio da imortalidade?A resposta é: No Corpo e Sangue de Jesus, o único que tem “as chaves da Morte e do Hades” (Ap 1, 18).

Em Jesus, o enigma da morte está definitivamente decifrado. Quando, por causa da desobediência de nossos primeiros pais, estávamos irremediavelmente perdidos, “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Como isto acontece? “Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida” (Jo 6, 54s), revela Jesus.

Por causa do pecado das origens, Deus impediu o homem de ter acesso à árvore da vida: “Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre!” (Gn 3, 22). Pelo Caminho de seu Corpo e Sangue, Cristo Jesus nos dá de novo acesso à árvore da vida, da qual Adão fora privado: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6, 51).

O remédio da imortalidade, portanto, é a Eucaristia. A Festa de Corpus Christis é a celebração da certeza de que, alimentando-nos com o Pão da Vida, “embora em nós, o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso” (2Cor 4, 16s).

Recebendo dignamente o Corpo e o Sangue de Jesus, onde se esconde toda a sua divindade, testemunhamos para o mundo que “Não olhamos pra as coisas que se veem, mas para as que não se veem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2Cor 4, 18). Assim, ao invés de ser o remédio definitivo para todos os males da vida presente, a morte torna-se a porta de entrada para um banquete sem fim na presença da Santíssima Trindade, Maria Santíssima e toda a corte celeste.


quinta-feira, 6 de março de 2014

MISSÃO EM GANA E QUÊNIA




Próximo dia 23 de abril embarcaremos para nossa décima missão na África. Pregaremos a Boa Nova da Salvação em Gana e Quênia. Padre Maxwell Quaye será nosso anfitrião em Gana. George Ndegua, no Quênia. Para estas missões recebemos o envio oficial de Dom Wilson Tadeu Jonck, arcebispo de Florianópolis.

Humildemente, para a maior glória de Deus, peço suporte financeiro para cobrir as despesas desta missão. Lembro que todo batizado, conforme ensina o Catecismo da Igreja Católica, tem a obrigação de anunciar o Evangelho. O fazemos em obediência ao mandato de Jesus: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15).

O orçamento previsto para estas missões é de R$ 6,000,00 (Seis mil Reais).

Aqui estão meus dados bancários:

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA  1489-3
CONTA CORRENTE  16.479-8
CELSO DERETTI
CPF  538 136 349 49

Para mais informações:

47 9922 8642
deretticelso@gmail.com

Em nome de Jesus, agradeço a todos, pedindo a Maria Santíssima, Estrela da Evangelização, que passe à frente de todas nossas decisões.

"Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados" (At 26, 17).


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O segredo dos santos



O oposto da santidade não é o pecado; é o fracasso. Amargaremos uma triste derrota se ao término de nossa brevíssima existência terrena não alcançarmos a santificação de nossas almas. A vontade de Deus para cada filho de Adão é claríssima: “Como filhos obedientes, não consintais em modelar vossa vida de acordo com as paixões de outrora, do tempo de vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd 1, 14-16).

Trocando em miúdos, a santidade precisa ser programada. Sabemos por experiência: “A carne tem aspirações contrárias ao Espírito” (Gl 5, 17). É mais fácil passar 5 horas diante da televisão do que 5 minutos prostrados em oração. A vida dos santos é prova cabal de que ninguém consegue santificar a própria vida sem o ônus de uma disciplina férrea e de um esforço sistemático para não sucumbir frente às tentações. Daí a regra de ouro de São Bento: “Ora et labora” (Ore e trabalhe).

Disciplina e esforço para quê? Para em todas as coisas obedecer a voz de Jesus. Obedecer vem de uma raíz latina: “Ob-audire”, ou seja, dar ouvidos. O Catecismo da Igreja Católica afirma que, depois do pecado original, “Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade” (CIC - 397). Deciframos aqui o segredo de todos os santos: Dobrar-se continuamente à vontade de Deus, “que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4).

Uma coisa é escutar a Palavra de Deus; outra, embora custoso, é dar ouvidos, obedecer o que o Espírito Santo fala. O grandes mestres do discernimento espiritual revelam que o Diabo trabalha sistematicamente para que suspeitemos de Deus e de suas promessas. É bem conhecida a sugestão da serpente infernal: “Não troque o certo pelo duvidoso”. Seduzidos por esta falsa promessa, de desobediência em desobediência à voz de Deus, podemos acabar no fogo do inferno, onde, sem dúvida, não há mais redenção.

Jesus, “obediente até a morte, à morte de cruz” (Fl 2, 8) - Aquele que, na tentação do deserto, permaneceu firme onde Adão sucumbiu -, prova que embrenhar-se pela caminho estreito da santidade de vida tem um alto preço, seguido de uma recompensa eterna: “Pois aquele que quiser salvar sua vida, a perderá; mas, o que perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, a salvará” (Mc 8, 35).

O Espírito Santo nos é dado não porque somos santos, mas para nos fazer santos. Temos uma única e irrepetível oportunidade para santificar nossa vida. Jesus exorta a cada um de nós: “Felizes os que lavam suas vestes para terem poder sobre a árvore da Vida e para entrarem na Cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira” (Ap 22, 14). 

Obedecer esta Palavra, enquanto vive neste Vale de Lágrimas, é o maior desafio para um Filho de Adão. Não troquemos o certo pelo duvidoso. A cada novo dia, como fez Maria Santíssima, renovemos nosso SIM, certos de que Deus não é homem para mentir: “Que o injusto cometa ainda a injustiça e o sujo continue e sujar-se; que o justo pratique ainda a justiça e que o santo continue a santificar-se” (Ap 22, 11).

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Email para contato

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Testemunho de conversão do pior criminoso da Tanzânia, África.

Estelatus pregando em Dar Es Salaam, Tanzânia, África.


Bastaram poucos anos para Estelatus Mtemanyenja galgar o posto de executivo de uma grande empresa japonesa, estabelecida na capital Dar Es Salaam, Tanzânia, África oriental. Oriundo de um remoto vilarejo no interior do país, não tinha educação acadêmica. Mas como era esperto para negócios, os diretores decidem lapidar aquele diamante bruto. Trazem trajes e sapatos do Japão e põem um carro de luxo com motorista à sua disposição. O recompensam com um excelente salário.

Concordam em enviá-lo para Arusha, a fim de estudar administração de empresas. Arusha, na divisa com o Quênia, é a porta de entrada de milhares de turistas que visitam grandes parques de animais selvagens e o monte Kilimanjaro, o mais alto da África, com 5.895 metros. Uma cidade com farta oferta de prostituição e diversão noturna.

Se “O vinho e as mulheres fazem sucumbir até mesmos os sábios” (Eclo 19, 2), o que dizer de alguém desguarnecido da Armadura de Deus? (cf. Ef 6, 13-17). Não deu outra! O dinheiro que a empresa enviava para sua manutenção e pagamento das mensalidades, Estelatus desvia para noitadas de farras com amigos, mulheres e bebidas.

Pode-se ludibriar muita gente por muito tempo; não se pode, contudo, ludibriar a todos o tempo todo. A verdade aparece. Demissão sumária. Acostumado à boa vida, Estelatus raciocina: "Estou demitido. O que vou fazer para continuar usufruindo de todas estas regalias?". Aconselhado pelo Inferno, decide unir-se a uma quadrilha especializada em roubo, tráfico, prostituição e falsificação de bebidas. O resultado é dramático: 7 assassinatos cometidos.

Estelatus torna-se o criminoso mais procurado de toda a Tanzânia. Para desmantelar sua poderosa quadrilha, o presidente Julius Nyerere (hoje, Servo de Deus), envia seus melhores homens para serem treinados pelas forças especiais da Bulgária. De volta à Tanzânia, conseguem capturar Estelatus. Ficará atrás das grades durante seis anos. Na prisão, um sacristão católico oferece-lhe uma Bíblia para ler. A princípio, o amaldiçoa; mas como não tem outra opção de lazer, com o intuito de passar o tempo, começa uma leitura sistemática da Sagrada Escritura.

Gosta muito de aventura. Encanta-se com os relatos bélicos de Davi, Sansão e outros Valentes do Antigo Testamento. Quando lê sobre Jesus, nos Evangelhos, exclama: "Pobre homem. É um fracassado!". Sem os suspeitar, entretanto, a Espada do Espírito penetrara-lhe a alma. Àquela altura, o Messias já havia roubado seu coração. Deus Pai rasgara o Céu para fazer descer o orvalho da Redenção  destinado a regar sua alma empedernida pelo pecado. Nas profundezas da alma daquele homem velho está prestes a se realizar uma verdade eterna: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!" (2Cor 5, 17).

Amanhecera. Aos olhos de todos naquela prisão, um dia como todos os outros. Subitamente, porém, o poder de Deus desencadeia um terremoto no cárcere interior do prisioneiro Estelatus. As estruturas do homem velho são abaladas. As correntes interiores rompem-se pelas mãos poderosas de Jesus. O fogo do Espírito Santo, que transforma tudo o que toca, o envolve por inteiro. Satanás, à uma ordem de Jesus, é acorrentado e levado em cortejo triunfal pelo Senhor do Céu e da Terra.

Estelatus sente como se um raio o perpassasse de alto a baixo. Começa a bendizer a Deus e a falar em línguas estranhas. É o seu batismo no Espírito Santo. Dali em diante, ninguém mais o reconhece. Embora trancafiado por grossas cadeias de ferro, o criminoso mais perigoso da Tanzânia é agora um prisioneiro de Jesus Cristo; Atrás das grades, torna-se um homem verdadeiramente livre da escravidão do pecado que gera a morte. Livre dentro de uma prisão, pode agora proclamar sem medo: "Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres" (Jo 8, 36).

Certo dia, ouve a voz de Jesus dizendo: "Prega o Evangelho para estes aqui na prisão". A princípio, resiste. Muitos dos seus colegas de cela eram discípulos seus na escola do crime. O que pensariam? Finalmente, atemorizado por um sonho aterrador, em que vê a si mesmo caindo num abismo sem fundo, começa a pregar a Palavra de Deus para aqueles que antes ensinara a seguir a cartilha do Diabo - aquele que "não vem senão para furtar, matar e destruir" (Jo 10, 10b). É urgente resgatar aquelas almas do abismo do inferno.

Sua primeira pregação na prisão atrai a ira da maioria de seus colegas. O acusam de charlatão e caçoam dele. Pensam que perdera a razão. Pressionado pelos prisioneiros, o carcereiro o proíbe de pregar a Palavra de Deus. Estelatus desobedece. É arrastado para a solitária. Quando sai, volta a anunciar Jesus. É atirado novamente na solitária. Outra vez solto, continua a evangelizar. Depois de 3 confinamentos na solitária, sem resultado, o carcereiro não mais o incomoda; pensa que a Palavra de Deus o enloquecera.

Não sabiam aqueles homens e o carcereiro que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1, 25). Com a Espada do Espírito em mãos, revestido do poder do alto, Estelatus consegue penetrar no coração endurecido de muitos de seus antigos comparsas. Com os primeiros convertidos, inicia um grupo de oração dentro da prisão. Neste período, algo misterioso acontece. À noite, em sonho, vê-se transportado ao Vaticano, onde o Papa João Paulo II o recebe e ensina-lhe a interpretar muitas passagens da Sagrada Escritura.

Certa ocasião, Jesus revela-lhe que num futuro próximo o enviará a pregar o Evangelho a todas as nações. Nesta visão, Estelatus encontra-se dentro de um avião com uma pasta na mão, trajando um terno. Ciente da gravidade dos crimes hediondos que cometera, conclui que jamais verá cumprida esta promessa de Deus. Com 7 assassinatos nas costas, quem o tiraria daquela prisão? É quando o Deus do impossível intervém. A Anistia Internacional pede ao governo da Tanzânia que leve a julgamento todos os presos detidos, para que possam ter direito de defesa. Eram trezentos. A notícia causa alvoroço entre os detentos. Um deles diz a Estelatus: "Tu jamais sairás daqui. Mesmo levado a julgamento, se te inocentarem por um assassinato, ainda restarão outros seis que te condenarão". Seu destino parece selado: apodrecer no cárcere.

Chegara o dia de chamar o primeiro prisioneiro para se encaminhado para julgamento. Certo de que jamais o chamariam, pega a sua bíblia e senta-se em um lugar solitário para meditá-la. O carcereiro entra. Em seguida anuncia o primeiro nome da lista: "ESTELATUS MTEMANYENJA". Incrédulos, seus companheiros o procuram para dar-lhe a notícia. Estelatus pensa que estão zombando dele. O próprio carcereiro aproxima-se e pergunta: "Você é Estelatus Mtemanyenja?". Responde que sim. "Siga-me", ordena o policial.

Quando o chefe de polícia o recebe em seu escritório, esquadrinha-o de alto a baixo. Movido de misteriosa compaixão, diz aos seus oficiais: "Este homem está às portas da morte; não resistirá por muito tempo nesta prisão". Pergunta, então, a Estelatus: "Você tem parentes aqui na cidade?" Sua resposta é sim. Depois de um longo silêncio, a grande surpresa: "Vou te libertar, sem necessidade de julgamento, mas com uma condição: todos os sábados você deve se apresentar aqui. Se algum crime acontecer na cidade, iremos à tua procura em tua casa. Não encontrando-te, voltarás para esta prisão e nunca mais dela sairás”, exorta o chefe da prisão.

Quando Estelatus pega seus pertences e diz adeus a seus colegas de cela, o espanto e o temor a Deus tomam conta dos corações de todos. Muitas vezes o ouviram anunciar-lhes aquilo que agora testemunham com seus próprios olhos: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo" (Rm 8, 1).

Nos dois anos seguintes, Estelatus trabalha como tratorista em uma pequena fazenda, no interior da Tanzânia. Ali inicia uma comunidade orante debaixo de uma choupana. Naquele exato local, hoje, encontra-se uma majestosa igreja. Em seguida, a convite de um morador local, conhece um grupo de oração onde os dons do Espírito Santo se manifestam com sinais e prodígios, a exemplo do que ocorrera no dia de Pentecostes. Mais tarde, aquele que fora o maior criminoso que a Tanzânia conhecera, torna-se o coordenador nacional da Renovação Carismática Católica da Tanzânia.

Certo dia, dentro do avião que o levava para uma missão de evangelização em Malawi, país vizinho, lembra da visão que tivera na prisão. Percebe que está portando a mesma maleta de mão e vestido exatamente conforme Jesus predissera. O Deus que não é homem para mentir cumpre fielmente sua promessa. Lágrimas de alegria e de agradecimento rolam de seu rosto.



Depois de ter servido de capacho do Diabo por tantos anos, lavado pelo Sangue de Jesus, Estelatus pode hoje cantar: “Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos! -, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus” (Ef 2, 4-6)
Atualmente, Estelatus é um dos mais proeminentes pregadores da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. É chamado para anunciar a Boa Nova da Salvação em muitos países. É casado e tem 3 filhos. Todos os dias, às 5 horas da manhã, reúnem-se para 1 hora de oração. Mora em Dar Es Salaam, capital da Tanzânia. Em setembro de 2013 estará no Brasil pela quarta vez. Virá testemunhar seu maravilhoso encontro pessoal com Jesus, o Senhor da História que mudou dramaticamente sua vida e sua história.

O mesmo milagre que Deus Espírito Santo realizou na vida de Estelatus, pode realizar agora na minha e na sua vida: "Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação" (2Cor 6, 2). Ore com confiança: "Jesus, eu te aceito agora como meu único e definitivo Salvador. Creio em meu coração que ressuscitaste dentre os mortos e, portanto, confesso com a minha boca que és o Senhor da minha vida e da minha história. Amém!"

Este testemunho encontra-se no livro ESTELATUS MTEMA: TESTEMUNHO DE CONVERSÃO DO PIOR CRIMINOSO DA TANZÂNIA, pela editora Missão Sede Santos: www.sedesantos.com.br. Autor: Celso Deretti.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A visão do Inferno (Santa Faustina)


"Hoje, conduzida por um anjo, fui levada às profundezas do inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino não mudará NUNCA; o quarto tormento é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói; é um TORMENTO TERRÍVEL; é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as ALMAS CONDENADAS veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o seu; o sexto é a contínua COMPANHIA DO DEMÔNIO; o sétimo tormento, o terrível DESESPERO, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. CADA ALMA É ATORMENTADA COM O QUE PECOU, DE MANEIRA HORRÍVEL E INDESCRITÍVEL. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. QUE O PECADOR SAIBA QUE SERÁ ATORMENTADO COM O SENTIDO QUE PECOU POR TODA A ETERNIDADE. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é. Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora; tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: O MAIOR NÚMERO DAS ALMAS QUE LÁ ESTÃO, É JUSTAMENTE DAQUELES QUE NÃO ACREDITAVAM QUE O INFERNO EXISTISSE. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela CONVERSÃO DOS PECADORES; incessantemente, peço a MISERICÓRDIA DE DEUS para eles. Ó, meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja" (Diário de Santa Faustina Kowalska - 741).

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Palavra do Papa Bento XVI


"A nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo. No decurso das próprias reflexões sinodais, foi sublinhado que há muitos ambientes em África, na Ásia e na Oceânia, onde os habitantes aguardam com viva expectativa – às vezes sem estar plenamente conscientes disso – o primeiro anúncio do Evangelho. Por isso, é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e os fiéis leigos. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização. Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos – de todos os cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos – de anunciarem a Boa Nova".

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Novo Livro de Celso Deretti


Para meados de 2014, lançamento do livro MEMÓRIAS DE UM TÚMULO. Discorre sobre a ressurreição de Jesus. Autor: Celso Deretti.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estudo sobre os DONS CARISMÁTICOS




Pontos importantes


1.  A Igreja nasceu carismática.

2.  Os carismas são para todos.

3.  Servem para a edificação da Igreja.

4.  Devem ser exercidos na humildade, harmonia e ordem.

5.  Tornam a evangelização mais eficaz.

6.  Fundamentados na caridade.

7.  Devem ser pedidos com fé.

Dons de Revelação

Palavra de Ciência
O dom de ciência é um dom através do qual o Senhor faz que o homem entenda as coisas da maneira como Ele as entende. Faz que o homem penetre na raiz de cada acontecimento, fato, sentimento ou situação. Através do dom da Palavra de Ciência Deus dá o diagnóstico, a causa de um problema, doença, fato, situação, etc.
Quando estamos com febre, nos dirigimos a um médico para descobrir a causa da febre. Porque a febre não é a doença, mas um sintoma da doença. Quando alguém está deprimido, queremos resolver o problema da depressão, aliviando os seus sintomas, porém não conseguimos detectar a causa da depressão. Através do dom da Palavra de Ciência o Senhor nos revela a causa da depressão, sua raiz, com o objetivo de curar.

O Espírito Santo, através deste dom, presta um serviço ao povo de Deus através de nós.
Pelo dom da Palavra de Ciência Deus ensina ao homem sobre as suas verdades, permite que a sua luz penetre no entendimento do homem. Deus comunica ao homem informações que são impossíveis de se adquirir humanamente ou por conhecimento natural, pela razão. É um dom de revelação. Revela uma ação que Deus já está fazendo (a cura), ou uma situação ou mentalidade que precisa ser transformada por Deus, sempre com a finalidade de transformação e conversão através do poder e da misericórdia de Deus que cura o corpo e o coração.
Pode se manifestar por uma imagem, palavra, moção, passagem bíblica, sonho.
At 5, 1-11 - O Espírito Santo, através da palavra de ciência, revela a intenção secreta do coração de Ananias e Safira.
Padre Pio conhecia os pecados dos penitentes antes de os confessarem.

Palavra de Sabedoria
É a revelação divina que nos mostra a melhor maneira de agirmos para que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida e sejamos felizes. Dá-nos a direção, indica-nos o que fazer e como fazer para obtermos a melhor solução. É a orientação, o prognóstico divino. Atenção: não é adivinhação ou previsão de futuro. 
I Rs 3, 16-28  -  Salomão, usando o dom da Palavra de Sabedoria, soluciona um problema aparentemente de difícil solução.
A sabedoria humana é adquirida pelo conhecimento humano e pelas ciências. Todos podem ter acesso a ela, pois depende de esforço pessoal.  Já o dom carismático da palavra de sabedoria é aquele que nos orienta em fatos concretos como um socorro de Deus e não depende de méritos pessoais, nem é fruto de dedução lógica ou raciocínio.

A palavra de Sabedoria tem uma íntima ligação com o Dom da Palavra de Ciência. O dom dea Palavra de Ciência revela uma situação, um problema (dá o diagnóstico). O dom dea Palavra de Sabedoria nos ensina o como agir (indica o remédio).
A Palavra de Sabedoria é de extrema importância em determinadas circunstâncias embaraçosas da vida, em momentos de aconselhamento e em situações concretas do nosso dia a dia como no matrimônio, na educação dos filhos, no trabalho, no relacionamento (especialmente com pessoas difíceis) com os irmãos e na vida cristã.

Discernimento dos espíritos

O Dom do Discernimentos dos Espíritos é uma graça que provém da presença do Espírito Santo em nós, da nossa unidade com Ele, nossa intimidade com Ele em oração. Da mesma forma que nos dá palavras de sabedoria, ciência, cura, etc, dá-nos igualmente o dom do Discernimento dos Espíritos.

É um dom espiritual que nos permite discernir, examinar, em nós mesmos, nas outras pessoas, na comunidade o que é Deus, o que é da natureza ou o que é do maligno.
Este dom permite-nos identificar qual espírito está impulsionando ou está influenciando uma ação, uma situação, um desejo, uma decisão a tomar, algo que nos digam ou ofereçam. Como todo dom espiritual, ele está em interação com os outros carismas e é necessário para a nossa vida diária, nossa vida de oração e para o nosso apostolado.
Em Gn 3, 1-7, Eva não percebeu que quem lhe falava era o maligno, pois não parou para discernir quem lhe falava e se era de Deus; iludida pelo inimigo, acabou por cometer o pecado de origem de toda humanidade. Deus respeita a nossa liberdade e respeitou a liberdade de Eva em desobedecer-lhe e pecar. Deve ter sido uma imensa dor para Deus assistir Eva sendo enganada.
São João da Cruz nos ensina que nossa alma tem 3 grandes inimigos: o mundo, o demônio e a nossa carne; inimigos a fazerem guerra e dificultarem o caminho que a nossa alma deseja trilhar até Deus. É necessário, portanto, o exercício do dom do discernimento dos espíritos, um dos canais de que Deus se utiliza para nos ajudar a vencer esses grandes inimigos, que tentam nos confundir na busca de conhecer e viver a vontade de Deus.
É preciso orar e ter uma vida de constante louvor e de unidade com a Palavra de Deus e os sacramentos da Igreja. Desta forma, nos tornamos pessoas profundamente unidas e dóceis às moções do Espírito para que não nos deixemos ser ludibriados. Jesus nos ensinou: “vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. Este estado de alerta, confiante na misericórdia de Deus, nos vem do louvor constante, da oração diária, do estudo da Palavra de Deus, da obediência à Igreja, da frequência aos sacramentos e da amizade com MARIA.

Estando sempre alertas, saberemos se algo vem da vontade de Deus, do inimigo, ou da nossa carne.
Mt 16, 22 - “Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá”. A falta de fé, o desejo de agradar, o medo, deram entrada a Satanás no pensamento e sentimentos de Pedro. Jesus discerniu que o que Pedro dissera, vinha do maligno.
Lc 4, 1-13 - Jesus discerniu que as sugestões que lhe vinham na tentação do deserto, não lhe vinham de Deus, nem Dele, mas do maligno para estragar o plano do Pai. O Espírito Santo unge os batizados com a mesma unção espiritual de Jesus e com esta unção espiritual ele pode repetir e assumir para si as palavras de Jesus: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu; enviou-me para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para por em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor" (Lc 4, 18-19).

Dons de Inspiração

Profecia
É a palavra divina em transmissão humana para o momento presente. É Deus falando aqui e agora para uma ação instantânea, com o intuito de consolar, exortar e edificar os homens. É, portanto, dirigida a uma pessoa, por exemplo, em sua Oração Pessoal, ou a uma assembléia. Também pode ser dirigida para uma cidade, país ou o mundo inteiro.

Se procede de Deus, a assembléia entenderá plenamente a mensagem divina. Precisamos ter sempre o discernimento para termos a percepção de qual espírito está nos movendo a profetizar. E acreditem, essa percepção é nítida, tanto para quem proclama, quanto para quem escuta.
É transmitida sempre na primeira pessoa do singular, tendo em vista que é Deus mesmo falando através do profeta, que, por sua vez, tem livre arbítrio para proclamar ou reter a profecia. Deus não subjuga ninguém. O Homem não perde o controle de suas faculdades no exercício de qualquer carisma. O que profetiza, antes, recebe a inspiração divina em seu coração e em suas faculdades mentais e a proclama para a assembléia, quando for o caso. 

Atente-se que a profecia é exclusiva para aquele momento e para um determinado povo, grupo, etc, não sendo genérica para qualquer grupo. Pode ser proclamada em linguagem inteligível, ou seja, no idioma da assembléia (em vernáculo), ou em línguas; neste último caso, será necessária a manifestação de um outro carisma, a Interpretação das Línguas. A profecia quando proclamada em línguas, requer que a mesma pessoa ou outra(s) receba a mesma inspiração só que, agora, em linguagem vernacular (no nosso caso, o português).

Importante saber sobre o Dom da Profecia:
1. Deve exortar, edificar e confortar. Se uma profecia é negativa e condenatória, isto é um sinal claro de que a mesma não vem de Deus.

2. Deve produzir bons frutos. “Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos, os conhecereis” (Mt 7, 19-20).


3. Deve estar fundamentada nas Escrituras. Jesus diz: “As palavras que vos tenho dito são espírito e vida” (Jo 6, 63).


4. Deve estar de acordo com os ensinamentos do Magistério da Igreja Católica. O Magistério é a autoridade orientadora da Igreja.


5. Deve produzir paz.  São Paulo diz: “...porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de paz" (I Cor 14, 33).


6. Deve ser para a glória e honra de Deus. São Paulo declara:  “Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (I Cor 10, 31).


7. Deve fortalecer a fé tanto daquele que proclama a profecia como daquele ou daqueles que a ouvem.  “Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rm 10, 17).

Línguas
Trata-se de uma poderosa oração ou mensagem divina em linguagem não vernacular, ou seja, que não se pode entender com as nossas faculdades, mas com gemidos inefáveis, exprimidos pelo Espírito Santo.

É o próprio Espírito Santo quem louva, adora, intercede por nós ao Pai e ao Filho, pois não sabemos orar como convém. É sempre controlável e depende diretamente da disponibilidade de nossos aparelhos respiratório e fonador. Isso significa dizer que só iremos orar em línguas se produzirmos algum som e movermos nossa língua, deixando o restante por conta do Espírito Santo.

Muitas pessoas pensam que a boca começará a se mover sozinha e a voz sairá independentemente de um comando cerebral e isso, em verdade, não acontece, graças a Deus. É muito bom saber que o próprio Espírito Santo ora em nós com gemidos inexprimíveis; é bom abandonarmos deliberadamente nosso intelecto e nos largarmos nas correntes do Espírito. Damos a matéria-prima (ar, voz, língua) e o Espírito ora poderosamente.
Há uma profunda diferença entre orar em línguas (cf. Rm. 8, 26) e o falar em línguas; este último, como já visto no dom da profecia, é uma mensagem profética em linguagem não vernacular, o que necessitará do dom da Interpretação das Línguas. Há, ainda, o cantar em línguas. Ocorre muitas vezes em nossos Grupos de Oração, quando todos estão orando em línguas e alcançam uma harmonia musical, um único tom, tal qual uma orquestra; há ocasiões até em que a assembléia cessa o seu canto e uma ou duas pessoas continuam cantando em línguas por pequeno intervalo de tempo, louvando e adorando o Senhor. 

Cremos que o maior ensinamento de São Paulo acerca do Dom de Línguas encontra-se na maravilhosa e reveladora passagem de Rm 8, 26.
“Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas” (Mc 16, 17).
"Pedro estava ainda falando estas coisas, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, ficaram estupefatos ao ver que também sobre os gentios se derramara o dom do Espírito Santo, pois ouviam-nos falar em línguas e engrandecer a Deus" (At 10, 44s).
“E quando Paulo lhes impôs  as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles: puseram-se então a falar em línguas e a profetizar” (At 19, 6).

Interpretação das Línguas

Não é uma tradução. Quando uma profecia é proclamada em línguas, ou seja, com gemidos inefáveis, ininteligíveis, faz-se necessária a utilização do dom da Interpretação das Línguas, em que uma ou mais pessoas, respeitando-se a ordem, irá proclamar aquela mesma profecia em vernáculo, isto é, em linguagem inteligível, no idioma do grupo.

É imprescindível que haja quem interprete uma profecia proclamada em línguas, sob pena de o povo não entender a mensagem divina a ele dirigida. Veja o que Paulo nos ensina acerca da Interpretação das Línguas em I Cor 14, 13. 27-28.
Quem tem o dom da interpretação percebe com clareza, que as palavras lhe vêm a mente de forma abundante, e deve dizer o que o Senhor lhe inspira. Quanto mais se habitua, mais facilmente identifica o modo de como o Senhor lhe “dita” as palavras. Ele deve falar sempre na primeira pessoa, como se falasse o próprio Senhor. Jesus não quer que simplesmente se narre a sua mensagem, mas que pronuncie a mensagem em seu próprio nome empregando-se a primeira pessoa.


Dons de Poder

Fé
Trata-se de uma fé expectante, ou seja, aquela que leva à confiança e entrega total a Deus. Difere, portanto, da virtude teologal da Fé, que significa crer nas verdades reveladas por Deus; difere, ainda, da fé confiante, isto é, aquela que cresce na medida em que vou conhecendo mais a Deus. É a certeza daquilo que ainda não vejo, a certeza da atuação do poder divino. Veja a manifestação do dom carismático da fé na vida do homem leproso em Mt 8, 1-3.
O dom carismático da fé é o poder de Deus que nos move a uma confiança íntima com de que Deus agirá. Essa confiança leva a uma oração convicta, a uma decisão, a uma firmeza ou a algum outro ato que libera a bênção de Deus. Através do dom carismático da fé, o Espírito Santo nos dá a certeza de que Deus agirá, de que o poder de Deus irá intervir em alguma situação da vida do homem.

Pelo dom carismático da fé, cremos que Deus opera hoje maravilhas em favor do seu povo. A fé move a manifestação do poder de Deus através do seu Espírito Santo. “Se creres, verás a glória de Deus” (Jo 11, 40). É a fé que faz o homem de todos os tempos ver a glória de Deus.
A virgem Maria realiza da maneira mais perfeita a obediência à fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo. Maria não cessou de crer no “cumprimento” da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé (CIC 149). É a esta fé de Maria, de Abraão, de Moisés e outras testemunhas da fé que devemos aderir de todo o nosso coração, para que esta mesma fé nos ilumine e nos conduza nos momentos da provação.

Cura

É a manifestação do poder e da glória de Deus para restaurar a saúde do homem total. Deus quer o Homem sarado, tal qual fora criado. O pecado, as circunstâncias da vida, os erros de relacionamento, a falta de perdão, o descuido com a saúde, etc, vão desfigurando em nós a imagem e semelhança para com Deus.

Pelo dom carismático da Cura, Deus, usando de misericórdia para conosco, vem nos restaurar, a partir da oração de seus servos que, por caridade impõem as mãos sobre aquele irmão que Deus quer seja curado interior ou fisicamente.
"Orai uns pelos outros para serdes curados" (Tg 5, 16b).
1 - Ter sempre em mente que o Dom de Cura é um carisma do Espírito Santo para o bem comum e não para satisfação ou projeção pessoal.
2 - Como os demais dons, à exceção do dom de línguas, só acontece quando Deus quer e na hora que Deus quer, pelo simples fato de não estar sob o domínio de quem ora e, por mais que haja fé, depende da vontade de Deus.
3 - É dado como sinal do amor de Deus por nós, geralmente para confirmar o anúncio do Evangelho.
4 - A maior motivação para o exercício do dom é, e sempre será, a caridade, sem se deixar levar pelo gosto do poder que o dom pode representar.
5 - Acontece com maior frequência quando se abre à unção do Espírito, geralmente em assembléias de oração, tais como nas reuniões de oração, nos Seminários de Vida no Espírito, nas Experiências de Oração, nos retiros, congressos e outros eventos semelhantes. Ocorre geralmente após um grande louvor, durante uma adoração ou momento de oração, mas podendo ocorrer também durante uma pregação ou proclamação da Palavra ou em qualquer momento em que o povo de Deus esteja reunido em seu nome, porque o dom é do doador e é Ele quem escolhe o momento e a maneira de curar.
6 - É necessário desejar e pedir o dom ao Espírito Santo para se tornar um canal de graça para os irmãos.
7 - Quando se aspira ao ministério de cura, o certo é iniciar orando por enfermidades mais simples, sem se preocupar com resultados, após orar, entregar a Deus e deixar por sua conta os resultados, confiantes no seu poder, na certeza que depende d'Ele.
8 - É importante aprender a discernir. Às vezes, no inicio do ministério, tem-se a impressão que ao orar a cura vai ocorrer, o que, algumas vezes, não acontece. Mas, se, humildemente, refletirmos sobre a inspiração, pode-se concluir que o Senhor não estava dizendo: "vai curar..., mas, aprenda a orar para cura". Quando se sentir impulsionado a orar, ore, mas atento, porque o Senhor pode estar apenas lhe dizendo: aprenda a orar.

Milagres

É o poder de Deus de intervir em determinada situação em relação à natureza, à saúde e à vida. São fenômenos sobrenaturais realizados por Deus, com a finalidade de que os homens conheçam a sua glória, o seu poder e se convertam. Através dos milagres, o homem tem uma experiência concreta do amor de Deus por ele e da sua presença concreta na sua vida, na vida dos seus irmãos e no mundo.
O dom de milagres é a ação do Espírito Santo que, para o bem de alguém, modifica o curso normal da natureza. O milagre é uma intervenção clara, sensível e visível de Deus no decurso “ordinário” ou “normal” dos acontecimentos: curas instantâneas de doenças incuráveis, ressurreição dos mortos, fenômenos extraordinários da natureza.

Distinguir o milagre da cura: a cura é quando Deus acelera o processo de cura que se poderia conseguir através de meios naturais como uma cirurgia, remédios, repousos, etc. O milagre é quando se trata de uma cura que nenhuma ciência médica poderia realizar e que Deus realiza.
Alguns milagres no Antigo Testamento

Êx 14:  A passagem do Mar Vermelho.

Nm 17, 16-26:  O episódio da vara de Aarão que floresce.

Js 3, 14-17:  Josué e seu povo atravessaram o rio Jordão a pé enxuto.

I Rs 17,16:  A multiplicação da farinha e do azeite que havia prometido a Elias.

Alguns milagres no Novo Testamento

Lc 13, 10:  A mulher que vivia encurvada 18 anos.

Lc 18, 35: O cego em Jericó.

Mt 9, 1:  O paralítico em Cafarnaum.

Mt 15, 29-31:  Aleijados, coxos, cegos eram curados.

Jo 2,11:  Bodas de Caná.

Precisamos acreditar neste dom de milagres no coração da Igreja. Por meio dele poderemos de forma mais convincente publicar as maravilhas de Deus, hoje e sempre.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Água urgente para a África!


Cerca de 200 crianças portadoras de necessidades especiais necessitam, com urgência, de água potável em Same, Tanzânia, África. A Associação Missionária João Paulo II assumiu  o compromisso de construir um poço artesiano para suprir esta necessidade. Temos a aprovação do bispo de Same, Don Rogath Kimaryo e do Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Jonck. Orçamento previsto: R$ 20 mil. (200 Reais por metro perfurado). Enquanto aguardamos o registro dos estatutos, estamos usando minha conta, pessoa física, para receber doações:

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA  1489-3
CONTA CORRENTE  16.479-8
CELSO DERETTI
CPF  538.136.349-49

Muito obrigado!

"Dá ao Altíssimo conforme te foi dado por ele, dá de bom coração de acordo como que tuas mãos ganharam, pois o Senhor retribui a dádiva, e te recompensará tudo sete vezes mais" (Eclo 35, 12).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Associação Missionária João Paulo II

Iniciamos as atividades da Associação Missionária João Paulo II. Dom Wilson Tadeu Jonck, Arcebispo de Florianópolis, deu-nos sua bênção e aprovação oficial. Nossa sede encontra-se na rua 910, 31, sala 3, centro de Balneário Camboriú, SC (frente igreja matriz Santa Inês).

Emails:

celsoderetti@yahoo.com.br

deretticelso@gmail.com

Celular: 47 9922 8642

Estamos com 2 projetos em andamento:

1. Construção de um poço artesiano na cidade de Same, Tanzânia, África, para atender 200 crianças portadoras de deficiência física e mental (esta instituição é dirigida pelas pequenas irmãs de São Francisco, congregação religiosa da Igreja Católica). Custo: R$ 20.000,00. Dom Rogath Kimaryo, bispo de Same, está à frente deste projeto.

2. Construção de uma igreja no vilarejo de Marwa, Tanzânia, onde hoje existe uma construção de pau-a -pique. Custo: R$ 30.000,00.

Em breve teremos conta jurídica. Por enquanto, estamos usando minha conta pessoal. Qualquer doação, acrescentar 10 centavos para encaminharmos o dinheiro para estes projetos.

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA 1489-3
CONTA CORRENTE 16.479-8
CELSO DERETTI
CPF: 538.136.349.49


Muito obrigado!

"O homem benevolente será abençoado porque tira do seu pão para o pobre" (Pv 22, 9).